Brilho destacado

Enfim meu texto sobre os termos monossexual e alossexual. Desenvolvi o tema da melhor maneira que consegui, e deixei muitas referências. Espero que ajude a melhorar as discussões sobre monossexismo e alossexismo.

medium.com/@oltiel/quem-tem-me

Brilho destacado

sobre não-monogamia política 

Esteve rolando por aqui e em outras redes alguns conflitos sobre o que a não-monogamia política prega. E acho que eu poderia contribuir de alguma forma, porque também não estive satisfeite com a comunicação e umas postagens que aparecem por aí.

Quando se critica monogamia, não é a relação a dois das pessoas. Está se criticando uma estrutural social que coloca como padrão e ideal um tipo de relação, que é baseada num contrato de exclusividade afetiva-sexual que deve ser cumprido. E junto com tudo isso vem muitos estigmas e efeitos negativos, como traição ser passível de punições, culpa por desejar outras pessoas, casos de violência (em especial contra mulheres), e outras coisas.

Essa relação a dois pregada por essa estrutura não é saudável porque já pré-define uma ausência de autonomia, que ainda assim é mascarada como se fosse "uma livre e espontânea escolha". O que discussões de não-monogamia estão trazendo é questionar esse modelo de relação, e propor que relações produzam autonomia nos indivíduos. A exclusividade produz autonomia? Como ela produz se ela retira a liberdade de escolha e exige que os corpos se relacionem unicamente com um?

Inclusive, um babado pra vocês: essas discussões estão questionando até o conceito de relação aberta. Porque a relação aberta quase sempre envolve um contrato também, que não é de exclusividade, mas com condições; e isso também não produz uma autonomia plena. Relação aberta por quê? Por que antes estava fechada? Há a possibilidade de fechar de novo? Por que uma relação deveria se descrever como aberta se ela é livre de acordos e baseada apenas na autonomia?

Tudo isso pra dizer que o problema real aqui não é um casal ser um casal. É o casal se sujeitar a todo um modelo socialmente imposto que lhes tira a autonomia. Nem entro no mérito do ciúmes, porque isso muita gente sente e pode ser trabalhado. Falo da exclusividade obrigatória. Se ela não existe, o casal é apenas um casal curtindo sua autonomia, são duas pessoas que, nas circunstâncias atuais, estão apenas entre si. Isso é possível. Tem gente que só consegue desenvolver afeto com mais uma pessoa. Tem gente que só tem energia pra administrar uma relação. Há circunstâncias em que um par de pessoas fica apenas entre si porque não tem mais ninguém interessante. Mas o acordo da exclusividade não existe. Não precisa existir. É isso.

Continuo achando cômico o quanto várias coisas que eu não vejo problema causam um treco em tanta gente. E eu parto em geral de dois pensamentos: se tal coisa pode ser controlada e se é algo inerentemente nocivo. Não, não perco meu tempo fazendo chilique em cima do que está além do meu controle, muito menos se é algo que não implica causar mal alguém.

Oltiel refletiu

Problemas com percepção de identidade 

Tenho muito medo de usar "plural" como rótulo e depois descobrir que eu sou só uma singlet muito confusa :sad_dog:

reflexões e críticas minhas sobre objetificação de grupos minorizados (2/2) 

Como eu disse anteriormente, o tesão é espontâneo. Pra mim sempre foi mais do que natural que uma pessoa atraída por gênero X vai sentir tesão vendo duas pessoas ou mais do gênero X se pegando.

Estou ciente de pesquisas indicando que qualquer estímulo visual de sexo pode causar qualquer mínima excitação independentemente da orientação sexual de quem está vendo. Mas indo além de fisiologia, se estamos falando das condições que despertam a atração do indivíduo, fica mais absurdo qualquer tentativa regulatória disso.

Sim, estou dizendo que não vejo problema homem hétero curtindo duas mulheres se pegando, mulher hétero curtindo dois homens fudendo hard, pelo mesmo motivo que não vejo problema em qualquer pessoa heterodissidente gostando exatamente da mesma coisa envolvendo o(s) gênero(s) que desperta sua atração. É o tesão da pessoa. Ponto.

Finalmente, vamos além disso: quando esse tesão se torna "um problema"? Eu vou pelo seguinte pensamento: quando esse tesão causa mal ao indivíduo e/ou a outras pessoas. Que situações isso pode ocasionar? Talvez aproximações invasivas ("ah, que lindes vocês dues se beijando"), convites sexuais não solicitados ("topam menage"), assédios, enfim. Penso nessas coisas.

E eu penso também na simples relação do indivíduo com tal grupo. Tipo, eu percebo uma diferença gritante entre um homem hétero que procura constantemente pornô sáfico e não tem mais contato nenhum com pessoas sáficas, e um homem hétero que sente esse tesão, procura de vez quando coisas relacionadas, e tem amizades sáficas, se engaja com conteúdo de pessoas sáficas, e nunca desrespeita ou permite situações contra elas. Percebem o que quero dizer?

Pra finalizar, falando especificamente de conteúdos como mangás e animes, acho cômico gente achando que tem gente cis hétero se masturbando compulsivamente com qualquer coisa que tenha um casal dando selinho ou de mãos dadas. Essas "críticas" fazem parecer que todo conteúdo de romance é inerentemente sexual. Na minha terra isso tem nome. E dica: isso é discurso típico de conservadore que acha que casais queer podem influenciar crianças.

Obrigade a quem leu até aqui. Deixem um like, curtam, compartilhem, divulguem pres amigues, e me mandem um PIX se gostam das minhas problematizações militudas. Até.

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reflexões e críticas minhas sobre objetificação de grupos minorizados (1/2) 

Questão polêmica aqui, que é sobre essa coisa de pessoas de tal grupo estarem objetificando ou hipersexualizando ou fetichizando grupo tal por consumirem conteúdos românticos e/ou eróticos desse grupo.

Onde exatamente traçamos o limite entre uma sexualidade inofensiva e uma sexualidade potencialmente nociva? Se alguém souber, por favor, me diga; mas sem cair em moralismos e achismos, de preferência.

Assim, eu entendo que o tesão é espontâneo. Pode ser problematizado? Pode. Pode ser questionado? Pode. E pode inclusive ser reavaliado por quem o sente. Pessoas mudam mesmo: podem mudar suas preferências, podem ampliar suas atrações, enfim. Não acho que sente que já soltou pérolas como "adoro um negão" ou "tenho fetiche por trans" são um lixo e devem morrer. Basta uma autocrítica e reflexão de que fatores estão moldando ou influenciando esse tesão "predatório" (na falta de outra palavra melhor), que a pessoa começa a entender o negócio, e ela pode então experienciar uma atração mais saudável por esses grupos. Muita gente está sujeita a reproduzir essas coisas, incluindo os próprios grupos minorizados entre si.

Dito tudo isso, quando vamos nesse tópico do consumo de conteúdos românticos e/ou eróticos, penso várias coisas.

Primeiro, não tem como impedir as pessoas de consumir. Você não tem como vigiar todo mundo e o tempo todo. Então acho que não vale o esforço de ficar encucando com isso, como toda situação que não podemos controlar.

Segundo, quais são as regras? Só pessoa do grupo X podem consumir o conteúdo X? Pessoa do grupo Y é automaticamente uma fetichista nojenta e perigosa com o grupo X se consome tais conteúdos?

Terceiro, se só grupo X pode consumir conteúdo do grupo X, como ficam as intersecções? Pessoas não são só uma coisa, elas sempre pertencem a vários grupos. Por exemplo, se só homens aquileanes podem consumir pornô aquileano, isso inclui homens branques consumindo pornô com homens negres, ou aqui se traça mais uma linha, até chegarmos ao ponto de que pessoas só podem consumir conteúdos dos grupos que elas fazem parte? Tá ficando absurdo, né? Pois é.

E quatro, por que os grupos podem consumir tais conteúdos sem acusações de objetificação? Quem disse que tais grupos não podem reproduzir objetificação, da mesma forma que podem reproduzir qualquer opressão internalizada?

Você percebe que virou adulte já quando acorda cedo pra pendurar roupa e lavar mais u.u

Minha terceira sessão de depilação foi um tantinho menos dolorosa do que a anterior. Realmente, parece que as sessões vão ficando cada vez menos piores. Não vou sentir falta do choque do laser não.

piada boba 

Ah, então você é gótica? Então fala pra mim o nome de todos os cemitérios da sua cidade!

Oltiel refletiu

People who are both non-cis and non-het are awesomesauce!

Curiosidade sobre mim: hoje é meu transversário, o dia em que me percebi trans não-binárie e também assumi isso publicamente. E isso foi quatro dias antes do meu aniversário em 2018, então não tem como não lembrar. :s2b_trans: :nbdab:

O fantasma dos 28 anos já está batendo aqui na minha porta.

tute longo 

Sobre essa coisa de nós, pessoas de grupos minorizados, termos ou não "obrigação" de ensinar as pessoas, penso em seguinte: muitas vezes sobra pra nós um trabalho de conscientização e orientação, porque se não formos nós, ninguém fará. Há pessoas mais dispostas a isso, mais pacientes e didáticas, que fazem um bom trabalho com diálogo. Nem todo mundo tem esse pique, e nem todos os dias vai ter gente querendo isso. Tudo bem, isso precisa ser respeitado. No mais, geralmente tem gente disposta sim. Agora, tem circunstâncias e situações.

Falar com uma pessoa claramente ignorante, sem acesso à informação, que nunca teve esse contato, isso é uma coisa. Falar com um monte de adulte privilegiade que não tem nem aquele básico que você encontra em uns minutos de pesquisa, daí sim acho o cúmulo, e é isso que está rolando no BBB.

Isso tudo abre uma questão mais profunda, que é a causa de nossa condição de termos que ser as pessoas que vão trazer esses assuntos pra sociedade porque não tem mais ninguém. É a questão do quanto os grupos sistematicamente beneficiados fazem esse pacto de produzir uma perspectiva de mundo partindo apenas de seus locais, e todo o resto é algo exótico que precisa ainda se enfiar nessa perspectiva.

Por isso que não admitem ou resistem quando esses grupos discordam e contradizem essa perspectiva, e só aceitam mais as vozes desses grupos quando "a verdade deles" não joga lhes nenhuma responsabilidade social e ainda isenta de ter contato com essas realidades, que estão aí escancaradas no cotidiano e na mídia (TV, filmes, séries, etc).

Cada vez mais, essa desculpinha de "não saber dessas coisas" vai ficar menos crível, porque todas essas discussões estão sendo mostradas em todo meio de comunicação, por bem ou por mal. E cada vez mais essas bolhas privilegiadas serão questionadas, e com toda razão, já que essa "alienação" vai se mostrar mais uma opção e um descaso com o resto da sociedade, e não mais uma simples questão de "não ter tido nenhum acesso à informação".

Talvez o único lado bom do BBB até o momento seja mostrar ao vivo como essas bolhas funcionam e estão muito ativas, porque qualquer pessoa com o mínimo de bom senso está percebendo o quanto essa galera embolhada é sem noção. Talvez isso acabe "furando" mais essas bolhas, porque ninguém vai querer ficar passando vergonha igual aes participantes. Vamos aguardar esses efeitos.

comida 

Eu achei que ficou boa! 😋

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comida 

Hoje decidi fazer uma lasanha vegana. Espero que tenha ficado boa! Primeira vez na vida que faço lasanha.

BBB, cissexismo 

Sinceramente, quase criei vontade de acompanhar melhor o BBB só por causa da Linn. Mas agora estou com nenhuma vontade de saber qualquer coisa dessa merda de programa, já que parece que a única travesti da casa vai ser constantemente maldenominada. Chamaram uma galera bem lixo pra participar. Acho muito absurdo isso estar ocorrendo e não haver alguma tomada de providência. Espero que haja uma forte mobilização contra isso, e não acho que a Linn deveria aguentar essa violência.

Depois de uns dias passando um pouco mal, acordei muito bem. E estou recuperando meu peso.

Oltiel refletiu

Eu gostava da hipótese de que a Diamante Branco havia criado as outras Diamantes, já que as três possuem alguma pequena semelhança com características dela. Mas pelo visto as quatro surgiram ao mesmo tempo. Depois do fim da série, lançaram um material mostrando várias ideias, e tem um desenho com as Gems das quatro Diamantes vindo da rachadura de algo que parece um asteroide.

cissexismo, BBB 

Parabéns ao programa por expor ao vivo que pessoas trans são maldenominadas até quando tem o pronome literalmente tatuado na testa.

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