Valkyria Chronicles (spoilers), Segunda Guerra Mundial, nazismo, antisemitismo 

Andei jogando o primeiro Valkyria Chronicles e estou atualmente no capítulo 15. O jogo é basicamente uma recontagem da Segunda Guerra Mundial numa lente de anime e com um jogo estilo Fire Emblem. O país que você luta a favor é basicamente a Suíça, só que com um exército competente, lutando contra uma invasão do Império, que são basicamente nazistas.

O jogo até toca em assuntos como genocídio de um povo, ou sobre os terrores e mortes das guerras. Mas no geral eu achei que o jogo toca de forma bem superficial nesses assuntos mais pesados, com posições seguras sobre os assuntos do jogo, como "racismo é ruim", sem ir muito a fundo de como funciona um racismo estrutural.

No entanto achei que a interação entre personagens e o desenvolvimento de algumes, como uma personagem que aprende a lidar com o racismo dela, são pontos mais fortes do jogo. Não dá pra fazer romance que nem Fire Emblem, mas tem vários momentos onde personagens principais podem mostrar sua personalidade em cutscenes opcionais.

Quanto ao gameplay, é bem sólido na questão de estratégia, é mais fácil de manter membres do time com vida que Fire Emblem (mesmo quando alguém perde toda a vida, você tem a chance de resgatar antes que ocorra permadeath) e não tem nenhum tipo de vantagem exagerada como o triângulo de armas, as classes em geral são bem equilibradas e é possível lidar com vários obstáculos independente da classe que você está controlando.

Resumo: é um jogo que usa como cenário uma versão anime e fantasiosa da Segunda Guerra Mundial, apesar de tratar o cenário de forma relativamente superficial, é emocionante ver o desenvolvimento e a relação entre personagens. O gameplay é sólido sem ser tão punitivo quanto Fire Emblem. Recomendo se você gosta de Fire Emblem e talvez queira um cenário mais "moderno".

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Valkyria Chronicles (spoilers), sobre queerness do jogo 

Agora que terminei o jogo, eu queria fazer alguns adendos de detalhes que percebi em algumas missões.

O jogo tem personagens queer, como Ted Ustinov que é bi, ou Dallas Wyatt que é lésbica. E geralmente personagens assim (como não são principais) só dá pra ler sobre serem queer na biografia ou como um efeito no jogo (personagens de gostam de um certo gênero ganham boost de stats ao ficarem ao lado de alguém deste gênero).

A única exceção a essa regra é o Jann Walker, que possui um estereótipo de homem gay afeminado bem forte e exagerado (que acredito que pode ser ruim em alguns casos). Ele possui diálogos pelo jogo e tem um crush bem aparente em um dos personagens principais. O jogo trata de forma bem indiferente, como se fosse normal ele ser gay, mas ao mesmo tempo sinto que o jogo não tenta ir muito além e não mostra personagens queer em relacionamentos por exemplo.

Outra momento que achei que o jogo pendeu pra um estereótipo negativo de homem gay, foi num momento que o Jann diz querer dar um beijo na pessoa que está jogando o jogo (numa piada que quebra a quarta parede), só que faria isso sem consentimento ("que não adianta fugir").

E é isso.

Dizem que no Valkyria Chronicles 4 tem ume personagem trans que pela descrição parece implicar que é não-binárie/sem gênero. Ainda preciso ver quando eu for jogar esse jogo, mas pelo jeito é mais ume personagem que apenas colocam na biografia e nos atributos do jogo, sem tratar de forma mais aparente no diálogo/história.

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Valkyria Chronicles (spoilers), sobre queerness do jogo 

@QueerNeko, pior que lembro de ter lido, na época de lançamento, um feedback bem negativo do 4 com um personagem aliado, que agia de forma cissexista e até assediadora. Houveram mais discussões na época, em relação ao cast, mas só lembro que essa foi a que mais fez barulho. :s

Either way, gostei muito do review! É uma série que tenho bastante interesse já faz um tempo. Vou adorar ler a review dos próximos, quando você jogar. :blobcheeky:

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