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Perguntar os pronomes de alguém é falta de educação ou desrespeitoso? Tenho medo de acabar ofendendo alguém se perguntar-

brilho um pouco longo respondendo 

@Marie Eu diria que não? Mas dependendo do ambiente em que a pessoa está, pode ter uma consequência de "tirar ela do armário", deixando ela sem saída. Se for num lugar mais privado, deve ser ok...? Apesar de colocar "depende", eu ainda diria que não, só que há algumas exceções e situações que devem ser consideradas. Então como eu acho que você iria perguntar em redes sociais, que geralmente dão mais anonimato, ou quando a pessoa já mostra suas identidades e não tem problema, ou em outros contextos semelhantes, a resposta para mim é não. Sabe... Eu não acho desrespeitoso e isso deveria ser mais normalizado. Eu não acho "falta de educação", mas pode ser incômodo na situação que falei. O melhor jeito ainda é perguntar, mesmo quando "deveria ser óbvio". E pela maneira como você formulou a pergunta, também não acho - e a pessoa nem deveria - que vá ofender a pessoa, você só está demonstrando um ato de respeito. Ah, e se acontecer o que já mencionei (a pessoa ainda não se assumiu ou outra coisa, porque aparentemente é errado usar neolinguagem ou ser não-conformista de linguagem em geral) usar meios de linguagem neutra dentro das normas da língua portuguesa pode ser uma opção (tipo usar pessoa, indivíduo, criatura, usar verbos em vez de adjetivos, e usar palavras como triste, feliz, estudante sem os artigos e coletivos). Não sei se estou divagando demais - e se eu estiver, podem me apontar - e não sei se existem mais situações onde pode ser algo que incomode, mas é isso. Reforçando: Sempre que for pertinente, pergunte; se não for, espere a pessoa tocar no assunto, pergunte em privado ou use alguma linguagem neutra adequada a situação (dentro das normas - 🙄 - ou não).

Nem sei porque coloquei depende, era só eu colocar não e fazer essas observações, mas já foi...

@Marie Eu pessoalmente gosto que perguntem, acho respeitoso :) Demonstra cuidado e sensibilidade pra mim.
Mas assim, é aquilo né, cada qual com seus cada qual. Pode ser que haja quem se ofenda. Eu sei que minha performance é normalmente ambígua e "passar" não é uma prioridade pra mim, mas outras pessoas podem ter relações diferentes com a leitura que é feita delas.

sobre etiqueta de perguntar conjuntos 

@Marie depende muito do contexto.

Se você pergunta só pela linguagem de pessoas visivelmente "alternativas"/"inconformistas de gênero" de um grupo, e presume o resto, dá a entender que a linguagem da maioria da população ainda deve ser presumida.

Se você pergunta pela linguagem de alguém numa situação onde a pessoa pode estar no armário, isso pode acabar ficando desconfortável. Eu sugeriria usar -/-/- nessa situação, e se não der, sugiro ao menos perguntar "qual a linguagem que devo usar para me referir a você neste momento", porque isso ao menos dá a entender que você respeita se a pessoa mudar de ideia ou não estiver à vontade para se abrir.

Se você perguntar por "pronomes" pra alguém que usa neopronomes mais incomuns, como eld, elz, ily, ael e/ou éli, isso dá a impressão de ignorância – e, portanto, possível rejeição – sobre a importância de elementos de conjuntos de linguagem que vão além de pronomes, e sobre a existência de neolinguagem além de conjuntos como ê/elu/e.

É importante normalizar a possibilidade das pessoas disponibilizarem seus conjuntos, e a realidade onde não dá pra presumir conjuntos com base na aparência. E tem momentos que faz sentido perguntar por elementos dos conjuntos alheios. Mas, em geral, pode ser melhor deixar a situação aberta do que perguntar diretamente: por exemplo, você pode se introduzir com seu conjunto e isso pode ajudar a outra pessoa a se sentir confortável com disponibilizar o dela.

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